É fato que o jornal impresso tem passado por tempos difíceis. Querendo saber mais sobre as dificuldades de manter um jornal, nós do Espaço G...

Entrevista com Sandro Genaro

É fato que o jornal impresso tem passado por tempos difíceis. Querendo saber mais sobre as dificuldades de manter um jornal, nós do Espaço Gráfica entrevistamos Sandro Genaro, fundador do Jornal Interação no Rio de Janeiro. 


EG: Nos fale um pouco sobre seu trabalho. 
SG: Hoje, no meu jornal, além de escrever matérias, também faço vendas e cuido da qualidade gráfica.Também sou diretor executivo da Associação Brasileira de Mídias Evangélica (ABME). Na ABME, faço um trabalho de captação de recursos financeiros e cuido dos interesses das mídias, jornais, rádios, TVs, revistas e sites. Participo de muitos eventos, tais como rodadas de negócios, feiras, exposição. Já entrevistei vários artistas e os últimos dois presidentes do Brasil pessoalmente. Viajo o Brasil participando de eventos e implantando a ABME nos Estados.

EG: Como foi o processo da fundação do jornal?
SG: Eu trabalhava em uma editora, porém a editora faliu e não pagou ninguém. Então, resolvi pesquisar sobre jornais evangélicos, e descobri que não havia muitos; na Baixada Fluminense, onde moro, só existia um. Foi quando comecei a procurar o comércio local e apenas com um rascunho daquilo que viria a ser um futuro Jornal, comecei a vender espaço publicitário no pseudo jornal (pois só existia na minha cabeça até então). Um detalhe, eu pedia pagamento à vista de pessoas que não me conheciam, e eles acreditavam em mim, me pagavam na hora. Assim, depois de um mês vendendo espaço pra um jornal que ainda não existia, nasceu o primeiro exemplar do Jornal Interação. Final de outubro, com a capa da 1ª edição no mês de Novembro/2004.

EG: Quais são as diferenças (do jornal, do mercado etc) de 2004 pra cá?
SG: A grande diferença está na velocidade da informação. De 2004 até mais ou menos 2010, no Brasil, as informações ainda não corriam com a velocidade que se corre hoje. Por exemplo, uma notícia na manhã, pode ser velha à tarde. Com isso, o mercado publicitário mudou o foco em investimentos, passaram a investir muito mais nas mídias sociais, redes e web. Os jornais convencionais tendem, também, a ter suas redes sociais, senão morrem. Até 2010, eu tinha como anunciantes TODAS as grandes editoras e gravadoras do Brasil, tinha empresas de várias partes do Brasil, e até mesmo cliente nos EUA. Hoje, tenho que "rebolar" muito, muito mesmo, para manter o jornal em circulação. As bancas não vendem o suficiente - não vendem nem os grandes jornais, que dirá os menores.

EG: Como você faz para vender hoje em dia?
SG: Hoje, vendo para o cliente pontual. O que significa? Significa aquele que tem que anunciar um produto ou serviço de forma direta e única, ou seja, uma ação isolada. E eu construí muitos relacionamentos, e é com esse relacionamento que trabalho hoje. Meus clientes confiam mais no meu trabalho pessoal. É esse nível que tem que ser construído, confiança.

EG: Você acha que há possibilidade de o Jornal Interação migrar para o digital?
SG: Sim, claro! O jornal já está no Facebook, Instagram, Twitter. Só estou reformulando a página da web - mas já tinha aproximadamente 50 mil visitas quando estava ativa.

EG: E o fim do Jornal Interação impresso, passando a ser 100% digital: isso pode acontecer?
SG: Pode sim. Na verdade, estou planejando a migração para o fim de 2018.

EG: Alguma dica pra quem está começando no jornalismo? 
SG: Sim. Seja imparcial, seja profissional, seja amante da notícia verdadeira. Não escolham um lado, branco ou preto, norte ou sul, esquerda ou direita. Sejam jornalistas na essência, busquem sempre a verdade com imparcialidade de fatos. Não admitam censura! Sejam honestos ao jornalismo.

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